Em uma escola localizada em uma comunidade agrícola, os estudantes do Ensino Fundamental II e Ensino Médio são usuários ativos de redes sociais como TikTok, Instagram, WhatsApp e YouTube. Apesar do acesso à internet ser limitado em algumas casas, muitos alunos utilizam os dados móveis de seus celulares para interagir, produzir e consumir conteúdos digitais diariamente.
Por outro lado, um grupo de professores da escola enfrenta dificuldades em integrar essas tecnologias e linguagens digitais às suas práticas pedagógicas. Muitos não se sentem preparados para lidar com os novos letramentos exigidos pela cultura digital, como o uso de vídeos curtos, memes, podcasts ou a leitura crítica de conteúdos multimodais.
A Coordenação propõe à escola um projeto interdisciplinar que desafie os professores a desenvolver aulas baseadas nos multiletramentos e nas linguagens das redes sociais, utilizando os conhecimentos e experiências digitais dos alunos para aproximar os conteúdos escolares da realidade vivida por eles. Os professores ficam apreensivos com essa proposta, porém aceitam o desafio.
Nesse contexto, os professores passam a ser instigados a criar estratégias de ensino que dialoguem com o uso das redes sociais pelos alunos, promovendo a leitura crítica, a produção multimodal e o protagonismo juvenil, mesmo em um contexto rural com acesso tecnológico limitado.
Perguntas para aprofundamento:
1. Qual o conceito de Multiletramentos?
2. De que maneira os multiletramentos podem contribuir para transformar práticas pedagógicas “tradicionais” em práticas mais inclusivas e conectadas às vivências digitais dos alunos, especialmente em contextos rurais com acesso limitado à tecnologia?
3. Como os conceitos de interatividade e multiletramentos, discutidos por Rojo, podem orientar os professores a criarem experiências de aprendizagem em que os alunos se tornem autores e protagonistas no uso das linguagens das redes sociais no ambiente escolar?
4. Quais desafios e possibilidades se apresentam para a formação docente quando se busca integrar as TICs e os multiletramentos ao currículo, considerando as desigualdades de acesso e os diferentes níveis de letramento digital entre professores e estudantes?
Referências: (disponíveis no drive da disciplina)
ROJO, Roxane; MOURA, Eduardo (Orgs.). Letramentos, mídias, linguagens. São Paulo: Parábola Editorial, 2019.
ROJO, Roxane (Org.). Escol@ conectada: os multiletramentos e as TICs. São Paulo: Parábola Editorial, 2013.

1. Qual o conceito de Multiletramentos?
R. De acordo com Rojo, os multiletramentos referem-se a multiplicidade de culturas e diversidade de linguagens e textos em suas diferentes modalidades. A autora aponta para as “duas ordens de significação: a da multimodalidade e das diferenças socioculturais” enfatizando que tal conceito não pode ser traduzido de forma direta, porém, pode-se dizer que os multiletramentos estão “ligados a recepção e produção de textos/discursos em diversas modalidades de linguagem, mas que remetem a duas características da produção e circulação dos textos/discursos hoje – a multissemiose ou a multimodalidade devido principalmente às novas tecnologias digitais e a diversidade de contextos e culturas em que esses textos circulam.
2. De que maneira os multiletramentos podem contribuir para transformar práticas pedagógicas “tradicionais” em práticas mais inclusivas e conectadas às vivências digitais dos alunos, especialmente em contextos rurais com acesso limitado à tecnologia?
R. A partir do conceito de multiletramentos, a autora faz um convite para romper com as práticas tradicionais de ensino como uma forma de compreender que a sala de aula não pode continuar com a mesma metodologia diante de jovens que estão imersos num mundo tecnológico. Por meio do uso dos diferentes tipos de textos e linguagens e diversidade de culturas que eles tem acesso, é possível ao professor trazer atividades voltadas para essa análise. Desse modo a autora aborda sobre a necessidade dos professores se tornarem produtores de conhecimento a partir da novas ferramentas e dispositivos digitais.
3. Como os conceitos de interatividade e multiletramentos, discutidos por Rojo, podem orientar os professores a criarem experiências de aprendizagem em que os alunos se tornem autores e protagonistas no uso das linguagens das redes sociais no ambiente escolar?
R. Por meio da interatividade e os multiletramentos é possível transformar a sala de aula em um lugar dinâmico e inclusivo, em que os alunos possam se tornar protagonistas de sua aprendizagem mediados pelo professor. Quando o professor reconhece a importância do desenvolvimento das linguagens digitais no cotidiano da sala voltadas para os estudantes, ele possibilita que eles participem de forma crítica e ativa na sociedade atual.
4. Quais desafios e possibilidades se apresentam para a formação docente quando se busca integrar as TICs e os multiletramentos ao currículo, considerando as desigualdades de acesso e os diferentes níveis de letramento digital entre professores e estudantes?
R. A necessidade crescente de investimento em políticas que envolva a aquisição de equipamentos tecnológicos e investimento em internet em zonas rurais. Sobretudo na necessidade de formação continuada para professores, pois como a autora enfatiza “é preciso capacitar ambos, estudantes e mestres, para que possam usufruir ao máximo das possibilidades de aprendizagem”, pois não adianta haver o investimento em recursos tecnológicos, sem que os professores não saibam utiliza-la pedagogicamente promovendo a aprendizagem dos estudantes.
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